A DISRUPÇÃO TECNOLÓGICA NÃO CHEGA IGUAL PARA TODOS: TRAUMA REAL E TRAUMA LATENTE NA LIDERANÇA FRENTE À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Francisco Danilo Amaral Ramalho
Resumo
Este artigo analisa os impactos subjetivos e organizacionais da disrupção tecnológica, intensificada pela ascensão da inteligência artificial, sobre a liderança corporativa contemporânea. Propõe-se compreender a disrupção não apenas como transformação estrutural e hierárquica, mas como experiência traumática que afeta a mente do gestor, exigindo a integração entre técnica, emoção e escuta para sustentar a saúde mental e a eficácia da liderança. A partir da experiência empírica de um workshop realizado no interior do Ceará, observa-se que o efeito da disrupção manifesta-se de forma desigual conforme o contexto socioeconômico e cultural: em ambientes de alta competitividade, predomina o trauma real, expresso em ansiedade e sobrecarga psíquica; já em contextos de ritmo econômico mais lento, surge o trauma latente, caracterizado pela resistência simbólica e pela indiferença diante da urgência tecnológica. Assim, o estudo evidencia que a liderança na era da IA requer uma abordagem ampliada e plural, que reconheça o impacto emocional das rupturas e leve em conta as particularidades territoriais e subjetivas que modulam o modo como a disrupção é sentida - ou negada - pelos sujeitos e pelas organizações.
Palavras-chave
Referencias
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Submitted date:
11/11/2025
Reviewed date:
13/11/2025
Accepted date:
27/11/2025
